No total de: gnomos _ Laura Ferraz. Meu caos, meu interior. A vida, os mestres suspeitos...
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E ele a segurou pelo braço e lhe implorou um gole, um gole de vida.
O barulho da chuva era forte, as gotas pesadas, o tempo gelado.
A dúvida era estúpida, estúpida a ponto de não existir em nenhuma outra situação.
Era feita em pedaços, como um quebra cabeça, que ao se encaixar não faz sentido algum.
O barulho da chuva continuava e o gole que ele dava enquanto a chuva caia estava por mata-lo. Ele sem ao menos perceber, foi arrancado do peito o coração, e ela ao perceber o que fizestes caiu em solo paulista e o implorou, implorou perdão e ele sem ao menos saber, saber o que estava acontecendo, a levantou e sem coração implorou;
sufoca-te! Quebre meus objetos de valor! Mas leva-me com você.
E o senhor distante, berrou:
-O que foi aquilo?
A senhora respondeu:
 -Uma facada!

_Laura Ferraz 14/07/2014

É, embora eu saiba o desfecho que tivemos…
Eu gosto!
Eu gosto do nosso conturbado jeito de ser.
Da nossa indecisão combinada.
Embora eu sinta, sinta saudades de ter-te em meus braços e escrever-te coisas exageradas.
Eu gosto!
Eu gosto do nosso conturbado jeito de ser.
Ao fechar os olhos eu vejo a vontade que sinto quando estou perto…
Mas eu gosto!
Gosto do nosso conturbado jeito de levar isso adiante.  
Queria confessar-te algumas coisas, tirar algumas dúvidas, concordar.
Mas eu gosto!
Gosto do nosso novo jeito de levar, de aceitar a vontade, os desejos, talvez para não entrarmos no mesmo buraco que nos vimos um dia.
Mas eu gosto!
Gosto do jeito que esbarramos os nossos olhares.
Da nossa amizade!
Preciso de você, sempre comigo, seja lá como for. 

_Laura Ferraz 14/07/2014

Um túnel de ternura, um túnel de amor, uma vida iluminada, um caminho pelo qual escolheu seguir. Uma espécie de véu que cai entre teus olhos terminando em teus ombros. Uma espécie de viajem iluminada por anjos, anjos brancos que nunca irão te deixar cair, mas por trás disso tudo há um túnel de sombras tenebrosas, uma espécie de loucura dominada pela sua mente, uma espécie de dor dominada pelo medo, e em um  desses círculos de dúvidas a esperança reina…

_Laura Ferraz 7 de setembro de 2012

E ela?
Ela adormeceu logo ali,  foi quando mataram-me pelas costas, varada a balas.
Foi quando adormeci, quer dizer… O chão não estava mais ali, nem pessoas ou fotografia alguma. Era algo estranho, não sei explicar entendem?
Foi culpa dos tais alucinógenos, dos tais, dos tais…
Esqueci o nome.

Mas então, foi quando apareceu um senhor barbudo,
espera. Me perdi outra vez…
Eu estava ali naquele lugar, foi quando apareceu um senhor barbudo
cheio de pinta, marra, falando: “estamos subindo”
Eu pensei logo de cara que ele fosse um louco.
Não havia ninguém ali, nem mesmo um telefone em sua orelha.

Decidi sair do chão, quer dizer…
Não tinha chão.
Porra!
Esqueci…
Mas então, foi quando apareceu um senhor barbudo, um cara sem barba eu acho.
Espera…
Enfim…
Tô com fome!

_Laura Ferraz 07/07/2014

Conflitos Internos.

Em uma dessas tardes de domingo eu entendi o que significa a palavra “saudade”.
Compreendi, doeu sentir, doeu entender.
Entreguei a ela uma rosa, digo, para a saudade.
Perguntei a ela se não querias passear, e ela seca respondeu:
“Não, deixe-me aqui”.
Então, eu abri a boca:
“Olha aqui, eu que mando, saia.”
Ela não escutou, não deu atenção.
“Eu sei, não será nós, não terá nós, sem ela. Não da.”
Foi o que o outro lá disse…
E eu pensei “ah, vou dormir”
E fui.


_Laura Ferraz 07/07/2014

Quando está frio, aconchego-me.
Quando você está frio, escondo-me
Quando a vida esfria, deito no chão frio…
Esquento minhas mãos e pés em uma fogueira feita com gravetos de madeira.
Quando eu estou fria, olho o céu, as estrelas…
Sinto-me esquentar-te, esquentar-me…
Leve…
Fogo…
Gelo…
Azul, altar, eu, você, gelado.
Perto. Longe. 

_Laura Ferraz 07/07/2014